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Nota de Abertura

 

Desde sempre, as doenças e as epidemias são agentes de angústia, sofrimento, morte e miséria. Por outro lado, também refletem o modo de vida das sociedades, designadamente os seus comportamentos e ocupações, os seus hábitos alimentares e de consumo, além de afetarem o seu quotidiano, bem como as formas de organização familiar, social e económica. Deslocam-se com o ser humano, não conhecem fronteiras e facilmente atingem uma dimensão global. Além do mais, tomam múltiplas formas, pelo que, reconhecida a sua mobilidade e variabilidade, importa atender aos contextos em que ocorrem.

 

Geralmente, as epidemias são causadas por um agente patogénico (vírus ou parasita) que, quando assume um caráter infectocontagioso, pode originar grandes surtos pestíferos. Podem ter contornos endémicos quando o mal se circunscreve a uma região, epidémicos quando alastra de forma rápida, e pandémicos quando se globaliza. A história mostra que algumas epidemias surgem da mutação de agentes (caso da influenza, vírus causador da gripe) ou de novos vírus, como é o caso do responsável pelo ébola ou pelo HIV/SIDA.

A pretensão de explicar, controlar e combater a doença e os surtos epidémicos sempre acompanhou o ser humano e está patente na procura de meios que impeçam o seu aparecimento e disseminação, que atenuem ou superem os seus efeitos. A par doutras instituições, desde há muito que os estados tomaram a seu cargo essa tarefa, movidos não apenas por razões humanitárias, mas também pelo valor económico e militar dos seus efetivos populacionais.

 

A partir do século XVI, com as expansões europeias, tem início a globalização da economia. Os contactos, cada vez mais frequentes, entre povos distantes, além de inúmeras vantagens, também facilitaram a deslocação de agentes patogénicos e a disseminação de doenças. Vários autores, como Alfred Crosby, utilizam a expressão “imperialismo ecológico”, lançando a ideia, embora não consensual, de que os impérios europeus do século XVI se edificaram à custa da propagação de doenças (varíola e tifo), particularmente o espanhol, que, de outra forma, não teria conseguido derrotar as civilizações existentes nos Andes ou no México.

Chegados ao século XIX, com a revolução dos transportes e a consequente facilitação de contactos com terras e populações distantes, entre outros fatores, as epidemias expandem-se e rapidamente ultrapassam todo o tipo de barreiras, como se observa, de forma mais evidente, no século XX e, em particular, como mostra a pandemia que afeta toda a Humanidade no tempo presente.

Cabe à História estudar e dar a conhecer, entre outros aspetos, o modo como as sociedades, em contextos diversos, encaravam e procuravam combater as epidemias e as consequências delas resultantes, designadamente as de caráter económico, social, cultural e político.

 

Objetivos

- Conhecer as epidemias em Portugal no tempo longo da História;

- Analisar os circuitos de propagação e contágio;

- Debater o problema das fronteiras e da sua disseminação;

- Avaliar as políticas públicas de saúde;

- Conhecer as medidas implementadas em termos locais;

- Conhecer as diferentes vagas das doenças;

- Identificar grupos de risco;

- Discutir o impacto das epidemias no sistema de saúde pública;

- Analisar as reações às epidemias;

- Compreender a sobrevivência possível em tempos de epidemias;

- Debater o sentimento de apropriação do medo;

- Problematizar o confronto com a morte;

- Debater os impactos económicos, sociais, mentais, demográficos e culturais provocados pelas epidemias.